Pároco

Párocos - histórico:

1968-1987: Frei Antonio Maria Sinibaldi

1988-1997: Frei Carmine Castiglione

1997-2013: Frei Wilton Alves Rocha

2013-...: Frei Raimundo Valdo Nogueira (vigários paroquiais atuais: Frei Raimundo Nonato Moreira da Silva e Frei Ribamar Soares Ferreira).

Frei valdovaticano

Entrevista com o novo pároco, Frei Valdo Nogueira: “Precisamos dar prioridade à família e aos jovens”

Mais novo de uma família de dez filhos, nascido em Russas (CE) no dia 7 de outubro de 1981, Frei Valdo Nogueira descobriu sua vocação para o sacerdócio desde criança. Ordenado padre em 31 de janeiro de 2009, ele chegou à Paróquia de São Francisco no dia 3 de janeiro de 2011, e no dia 1º de novembro de 2013 foi empossado como pároco, após quase 16 anos de trabalho do Frei Wilton Rocha na condução da Paróquia. Nesta entrevista, Frei Valdo fala de sua trajetória, das prioridades desta nova missão, das pastorais e movimentos da Igreja, e de sua expectativa ao assumir uma paróquia com tamanho peso histórico.

 

1 – Como foi a descoberta da sua vocação para o sacerdócio?
R – Foi um desejo que veio da infância. Sou o décimo irmão de uma família de dez, e as lembranças mais remotas que eu tenho, que minha mãe também conta, são que eu reunia meus irmãos para “celebrar” a missa. Ainda era criança, não tinha feito nem Primeira Eucaristia, fiz com 9 anos de idade. Acho que tudo isso depende de onde você nasce, da família em que você foi criado. Nós morávamos no interior e lá não tinha missa com frequência, às vezes todo mês tinha, às vezes em tempo de inverno o intervalo era de três, quatro meses sem missa porque nós ficávamos ilhados. A cidade é cortada por um braço do Rio Jaguaribe, tinha período que o rio levava a ponte. Desde criança eu achava bonito, já nutria esse respeito, esse sentimento pela figura do padre. Com 12 ou 13 anos de idade, eu disse pela primeira vez para meu pai que ia ser padre. Depois eu comecei a fazer encontros vocacionais, com as irmãs cordimarianas, as freiras que assistiam na minha cidade, e elas acompanhavam grupos de jovens. Aos 13 anos, comecei a fazer esse acompanhamento vocacional com as irmãs cordimarianas. Irmã Teresa e Irmã Maria da Graça foram as duas que mais me acompanharam nesse período. Os padres da cidade eram jesuítas. A princípio, meu desejo e vontade era ser jesuíta. Mas depois tomei outro caminho. Fui convidado a participar de um encontro vocacional dos franciscanos conventuais na Maraponga, em Fortaleza, no ano de 96, véspera da festa de Santo Antônio. A partir desse primeiro encontro começou um acompanhamento, fui acompanhado de 96 até 2000, mas depois que comecei o acompanhamento com os frades, não tive mais dúvida do que eu queria, aquela mesma expressão de São Francisco: “depois que o Senhor me deu irmãos, eu não tive dúvida do que eu devia fazer”.

2 – Conte um pouco sobre sua trajetória desde que foi ordenado até a chegada à Paróquia de São Francisco.
R – Eu fui ordenado em 31 de janeiro de 2009, permaneci na casa de formação, não mais como formando, e também não colaborando na formação, mas para ajudar na paróquia que tinha sido criada havia pouco tempo na Maraponga. Fiquei colaborando na paróquia no ano de 2009, em 2010 fui transferido para a Cohama (São Luís – MA) também na mesma situação, não para o seminário, mas apenas como frade da comunidade e ajudar na Igreja Menino Jesus de Praga. Passei o ano de 2010 na Cohama, e em 2011 fui mandado para a Paróquia de São Francisco como vigário.

3 – Quais são as principais prioridades para o futuro da Paróquia?
R – A sociedade está vivendo uma desestruturação. A Paróquia é feita de pessoas, não de paredes. Eu acredito que, por conta dessa falta de estrutura da sociedade, as pessoas não têm mais um referencial preciso, não buscam mais ter um ponto de chegada das suas metas, não buscam traçar objetivos para suas vidas, as pessoas estão perdendo um pouco a noção do sentido da própria vida, da própria existência. Parece que se pode viver de qualquer jeito. Por isso que eu elenquei essas duas prioridades no dia da minha posse: a família e a juventude. Porque você precisa ter famílias que estejam estruturadas, e aqui não estou só falando de família tradicional com pai, mãe e filhos, mas de outras em que os filhos são criados pelos avós, tios ou irmãos mais velhos. Essas famílias precisam de cuidado e atenção. Um pouco dessa falta de estrutura familiar se dá justamente pela falta de estrutura pessoal, quando a pessoa perde o sentido da própria existência. E essa perda de sentido se dá porque hoje a sociedade está tirando Deus da sua vida. Há falta da oração e da presença de Deus dentro das famílias. Qual a família hoje que se reúne para rezar? Qual a família hoje que, antes das refeições, pelo menos procura fazer o sinal da cruz? Isso quando a família pelo menos se encontra para fazer as refeições juntas, porque um está para o trabalho, o outro para a escola ou faculdade... Há uma dificuldade hoje dessa unidade por conta do tempo corrido, mas isso também não justifica, porque nós podemos criar o tempo. Se a gente só pode se encontrar no domingo, então vamos eleger o domingo como o dia da família, o dia que nós vamos passar juntos. A família precisa ter esses momentos, mas para fazer o quê? Colocar a presença de Deus na família e manter o vínculo familiar, a unidade. Porque Deus não foi tirado só do seio da família. Quando falam em tirar os crucifixos das repartições públicas, isso é uma manifestação de querer tirar a presença de Deus da sociedade toda, não é só um símbolo religioso que fala de uma religião, mas é dizer não a Deus. Isso é inadmissível porque atinge a sociedade de um modo geral. E aí como os nossos jovens ficam? Quando chega aquele período de encontrar um referencial para sua vida, de ter mesmo essas referências, ele olha para um lado, olha para outro e não acha. Voltando um pouco no tempo, as pessoas falam que não podemos viver no passado, claro que não, mas nós temos que fazer memória das coisas do passado que tornam possível uma vivência concreta. Antigamente, dava-se para os jovens livros sobre a vida dos santos, eles ficavam empolgados. Claro que não era para eles serem padres, freiras ou santos, de imediato, pelo fato de estarem lendo vida de santo, mas era para eles terem referência, para alimentar seus sonhos. Hoje, qual a inspiração e as referências que os jovens têm? São os astros, os ídolos e as celebridades da televisão que são referências momentâneas, porque são estrelas que brilham ali no momento, mas depois as vidas delas são bombardeadas. Por exemplo, um jogador de futebol, que de repente é pego no doping, usa drogas. Aquele que era um ídolo para o jovem, que era um referencial, um exemplo, tinha todas essas fraquezas. E aí quando se lia a vida dos santos, havia ali o transcendente, podia ter sinais de fraqueza, mas era outra realidade. Quando os jovens lêem a vida dos santos, eles percebem claramente essa vivência concreta. Tem até uma frase de Santo Inácio de Loyola, quando ele lê a vida de São Francisco e se converte: “Se foi possível para ele, se ele conseguiu, eu também posso”. Então, é nesse sentido que eu acho que precisamos dar prioridade à família e aos jovens. A paróquia é feita de famílias, nós não podemos excluir, se dissermos que saiam daqui as famílias, vai todo mundo embora. Todas as pessoas que vêm à paróquia, de todas as comunidades, elas fazem parte de uma família, e a família precisa ter um suporte, ter esse resgate, a busca de sua identidade enquanto família.

4 – Que avaliação você faz das pastorais e movimentos da Paróquia e no que podem melhorar?
R – Há algo bem geral, não somente na paróquia, mas que ocorre em quase toda a Igreja, uma das grandes coisas que a gente percebe é que muitas vezes há uma deficiência muito grande de membros, de agentes. Poucas pessoas se comprometem de verdade em fazer, estar naquela pastoral e fazer com que o seu serviço seja de fato desenvolvido. Essa é uma das dificuldades que nós temos. Em contrapartida, vejo como muito positivo o trabalho e o empenho que as pastorais desenvolvem, mas desde que haja uma colaboração mútua entre as pastorais, que uma pastoral se sinta de fato não só participante da paróquia, mas agente de transformação. Às vezes uma coisa que acontece é o isolamento da pastoral, a pessoa só participa do que a pastoral faz, nem participa das missas da comunidade, só participa se for missa daquela pastoral. Isso traz uma quebra entre o objetivo da pastoral e o objetivo de todas as pastorais, ministérios e serviços da Igreja, que é estar integrando todas as pessoas na paróquia, que cada um com seu dom, com sua disponibilidade possa se identificar com uma determinada pastoral para estar colaborando para o crescimento da Igreja, para fazer com que o anúncio do Reino de Deus cresça. Porque no fundo precisamos ter em mente que a missão da paróquia é evangelizar, levar a presença de Jesus Cristo para todas as pessoas. Se isso não está acontecendo, nós podemos ter a maior estrutura do mundo e sermos uma ONG, aquilo tão condenado hoje pelo Papa Francisco. A Igreja não é uma ONG, nós já temos muitas ONGs, a primeira preocupação da Igreja deve ser levar a presença de Jesus Cristo àqueles que mais precisam. E aqueles que mais precisam no momento são pessoas que estão dentro da Igreja, porque alguns estão nas pastorais, nos ministérios, nos serviços, mas ainda não compreenderam o que é experimentar essa presença de Jesus, e acham que a missão de sua pastoral é mais importante do que a missão da Igreja, aí vem a questão do individualismo, do egocentrismo.

5 – Assumir a Paróquia sendo tão jovem foi motivo de inquietação?
R – É interessante ser tão jovem e já com uma responsabilidade tão grande. No primeiro momento, parecia que eu não acreditava, a ficha não tinha caído ainda. Vamos voltar um pouco no tempo. Já havia toda essa expectativa, Frei Wilton estava na Paróquia havia muito tempo e em casa falava claramente sobre isso, dizia: “eu estou indo e quem vai ficar é você”. Mas seria quem o provincial mandasse, ele poderia muito bem mandar outro para cá ou então me mandar para outro lugar, isso a gente não tinha certeza. Ficava já aquela expectativa, dava aquele frio na barriga, mas não era nada assustador. Quando aconteceu o período do retiro, o provincial me chamou para conversar e perguntou: “se eu lhe fizer pároco da Paróquia de São Francisco, você aceita?” Aí foi a hora em que a ficha caiu. Era a hora de eu dizer sim ou não. Eu sabia que teria muitos desafios. Não seria fácil assumir a paróquia com todo peso que ela tem, não digo o peso administrativo, mas o peso histórico. Até pelo fato de seu primeiro pároco ter sido Frei Antonio Sinibaldi. Ele foi fundamental para a criação da paróquia e para o bairro do São Francisco todo, apesar de eu pessoalmente achar que Frei Antonio até hoje não é reconhecido por tudo que ele fez pelo bairro e até pela cidade de São Luís. Vale ressaltar que quando ele morreu, São Luís parou. Tendo toda essa carga histórica de Frei Antonio, e depois de todo esse tempo, esse período prolongado que Frei Wilton passou como pároco, eu sabia que o desafio era grande. Não vou dizer que me senti incapaz, não vou dizer que não tive medo, mas aceitei o desafio.

6 – Quais devem ser os pilares centrais para o desenvolvimento de nossas comunidades?
R – As comunidades não podem perder aquilo que é o referencial, o anúncio do Evangelho. Se a gente pegar o Plano de Ação Evangelizadora, que algumas vezes as comunidades perdem de vista, é preciso partir de Jesus Cristo para fazer chegar Jesus Cristo às pessoas. Se este é meu propósito, tenho que fazer com que as pessoas voltem para Ele.

7 – Deixe uma mensagem para os paroquianos sobre esta nova caminhada que se inicia.
R – Primeiro, que é uma alegria imensa estar assumindo a Paróquia de São Francisco agora, e essa alegria se dá justamente porque eu sei que tem pessoas que estão muito interessadas em construir o Reino de Deus. Tem pessoas que acreditam nessa construção, tem pessoas que doam sua vida para que isso aconteça, e é isso que nós queremos que se cumpra, que se realize. Sinto gratidão por isso. Sei que não tenho experiência suficiente, mas é no dia-a-dia que nós vamos construindo, e me alegro muito de ver que muitas pessoas estão comprometidas com a Paróquia. Que todos continuem sua caminhada cristã rumo ao Reino de Deus e deixo a todos a minha benção de um pai que ama seus filhos, sinto cada um que me procura como um filho, que vem partilhar comigo, suas alegrias e tristezas, suas angustias e esperanças. Peço a cada um que nas suas orações nunca esqueçam do seu pastor que tanto precisa, pois sempre estou rezando por todos. Paz e Bem!